
Flávio de Abreu Castilho, mais conhecido como Preto, iniciou no polo em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Aos 12 anos, já taqueava nas tábuas do campo do Círculo Militar de Uruguaiana. Aos 15, participou do primeiro torneio. O dom natural para o esporte, aliado à melhor escola de polo do Rio Grande do Sul, que é Uruguaiana, mais as orientações seguras do pai, Cel. Castilho, considerado um dos melhores jogadores de polo do Exército e do Brasil, lhe asseguraram o handicap 7. Aos 23 anos de idade, concluiu o curso de Medicina Veterinária e se mudou para Indaiatuba, em São Paulo, onde reside até hoje, tornando-se um profissional do esporte. Além de participar de torneios de alto handicap no Brasil, é seguidamente convidado a participar de torneios no exterior, em países como Holanda, Estados Unidos, México, Itália, Chile, Colômbia, Nova Zelândia, Inglaterra, Austrália e Espanha, entre outros.
Por jogar no Brasil e no exterior, você tem ampla visão e conhecimento do polo em diferentes níveis. Na sua opinião, qual o potencial do polo gaúcho no cenário nacional e internacional? Acredito que o potencial é grande, devido às condições naturais do Rio Grande do Sul e à própria ligação do gaúcho com o cavalo, que é forte. Acredito que iniciativas que estão sendo tomadas pela nova gestão da Federação Gaúcha ajudam bastante.
Anualmente, você faz um remate de cavalos de polo em São Paulo. Qual é a importância do cavalo gaúcho neste mercado?É grande. O povo gaúcho, além de gostar de cavalos, tem o costume da cancha reta, concurso de laço e festas campeiras, ocorrendo, assim, uma oferta constante de cavalos para polo. Uma condição importante é o custo de manutenção do cavalo, que é relativamente baixo no Rio Grande do sul. O que poderia estar mais desenvolvida é a criação específica de cavalos de polo.
Na sua opinião, o que diferencia um cavalo médio de um cavalo excepcional?Montei em muitos cavalos na minha vida e, por isso, identifico que montei em poucos cavalos excepcionais. O cavalo médio depende muito da avaliação e referência de cada um. O cavalo excepcional precisa de boa boca, conforto e velocidade - quase utópico. Mas acredito que o craque aparece nas horas mais importantes e decisivas do jogo, ou seja, no último tempo ou tempo suplementário, na maioria das vezes já dobrando.
E os campos? Qual a importância do campo sobre o desempenho dos jogadores e sobre a vida útil dos animais?É importantíssimo. Em um campo bom, fica mais fácil de taquear, antecipar uma jogada e não exigir tanto da boca do animal. O piso macio também alivia o impacto nas articulações do cavalo. Eu estenderia essa questão para toda estrutura que envolve o polo: Com campo bom, cavalos e equipamentos bons, o jogo fica mais divertido e seguro.
Comente um pouco sobre a questão da arbitragem de um jogo de polo.Hoje em dia a arbitragem é um ponto polêmico, porque está muito criticada em vários centros de polo. Para quem apita, é uma missão bastante ingrata, porque existem interpretações diferentes e também o aspecto emocional de quem está jogando. Além de dominar o regulamento, o juiz tem que acompanhar de perto a jogada, para o polista evitar reclamações e não perder a concentração no jogo. Pela minha experiência, quando não estou jogando bem, é quando reclamo do juiz.
Qual é a sua rotina como profissional de polo?Procuro estar atento com a minha saúde e a dos meus cavalos. Quando estou na temporada do Helvetia, em São Paulo, faço natação três vezes por semana, bicicleta, musculação e alongamento. Além de jogar no final de semana, faço dois ou três treinos durante semana. Quando estou em Uruguaiana, saio um pouco da rotina, mas faço ginástica e alongamento. Em Uruguaiana eu monto os cavalos novos do meu pai e também sempre provo cavalos para comprar.
Como deve ser a iniciação de um jogador? Que conselhos você daria para quem esta iniciando no esporte? Saber montar a cavalo é meio caminho andado. Se não souber, tem que aprender. Quanto mais jovem, melhor, mas nada impede de começar tarde. Quando alguém me pergunta sobre o polo, procuro falar dos problemas e desafios a serem superados, porque, se a vontade de jogar é muito grande, a pessoa acaba jogando. Costumo dizer que, se não gostar muito, nem deve insistir. Existe o respeito e o envolvimento com o cavalo, que são básicos. Se a pessoa quiser fazer mais ou menos, então é melhor não fazer. Todo esse desafio torna o polo mais envolvente e fascinante.
Fonte: Revista Polo Sul